O meu jardim D’abril já não existe mais

O futebol na “rua do Rosa”, com constantes interrupções e gritos de “olha o ônibus”, já não existe mais. Nem os pipas em frente à casa do Bila. Ou as sirenes a cada gol do Palmeiras, na casa do saudoso Adriano. “Rua de baixo” contra “rua de cima”, na quadra do Rosa. É, foi uma infância boa, mas não existe mais. Nem a nova geração está ocupando as ruas do meu Jardim D’abril.

Esta é a geração internet/smartphone, isso é inegável, mas um fator que contribui com isso é a falta de segurança. Recebi informações de que, nesta terça-feira (17), quatro carros foram assaltados, em pleno movimento, em uma mesma rua. Um absurdo. Já havia visto, em um vídeo do amigo Evair, a ação dos marginais, que fecham os carros e abordam os motorista. Acontece que, por ser limite de município e rota de fuga para Raposo Tavares e Rodoanel, o Jardim D’abril deveria ter policiamento constante. E não falo de bases fixas, estas só atrapalham. Quando pensamos em segurança, também temos que pensar em políticas de ocupação dos espaços públicos. Marginais pensam duas vezes antes de cometer crimes, em locais movimentados.

O bairro, berço dos dois últimos prefeitos, Jorge Lapas e Rogério Lins, já não é o mesmo de 15 anos atrás. Osasco já não é a mesma cidade. O crescimento chegou, o “bairrismo” deu lugar ao “condominismo”, a vida em condominio é muito melhor, dizem. Mas, estão presos em seus próprios quintais.

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Em tempo, a criminalidade é geral, não se limita ao Jardim D’abril, a Osasco ou apenas a São Paulo. Vivemos um clima geral de insegurança. Você, que está lendo, pode não ser do Jardim D’abril, mas com certeza no seu bairro existem “ruas do Rosa”, “casas do Bila”, “saudosos Adrianos”, com outros nomes, mas a saudade daquele tempo e da sensação de segurança que tínhamos em ficar na rua madrugada adentro, é a mesma.

Como podemos mudar isso? Que tal começarmos fazendo essa mensagem chegar em nossas autoridades? Vamos fazer nosso prefeito lembrar-se do tempo em que ele jogava futebol no Rosa, cheio de marra, ajeitando o cabelo e fazendo “joinha” a cada passe. Fazer nossos secretários se lembrarem das suas infâncias nos bairros da cidade. Eles podem intervir, cobrar aqueles que têm o poder de mudar, criar políticas de ocupação dos espaços, investir em áreas de lazer e intervenções culturais nos bairros, nas periferias e não só nas regiões centrais.

Paulo Macedo é publicitário e morou 28 anos no Jardim D’abril.

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O meu jardim D’abril já não existe mais

4 comentários em “O meu jardim D’abril já não existe mais

  • 18 de janeiro de 2017 em 14:22
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    Isso Paulinho, como o conheço, o Jd D’Abril não existe mais.
    Mas não vamos deixar acabar de vez. Cada um faz um pouco e no final teremos dias melhores.
    Vamos todos cobrar as autoridades e fazer um Jd. D’Abril melhor.

  • 18 de janeiro de 2017 em 19:16
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    show paulinho, antigamente era muito bom mesmo. bons tempos, ótima matéria, parabéns. abraços do bila.

  • 18 de janeiro de 2017 em 21:43
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    Morei e vivi o melhor desse bairro, tenho orgulho disso,mas fico triste com a atual situação .

  • 27 de agosto de 2018 em 10:14
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    quando vou ai fico lembrando da minha infancia sem perigo como existe hoje em dia mas amo meu novo lugar nao troco por jd dabril de jeito nenhum.

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