Prefeitura de Osasco

A infecção no sangue, conhecida tecnicamente como sepse ou septicemia, é uma das principais causas de mortalidade em hospitais ao redor do mundo. Ela não é uma “doença” por si só, mas uma resposta inflamatória sistêmica descontrolada a uma infecção já existente.

Quando o sistema imunológico tenta combater um invasor (bactéria, fungo ou vírus) e acaba atacando o próprio corpo, estamos diante de um quadro de sepse. Entender a gravidade e a rapidez dessa condição é vital para salvar vidas.


1. As Principais Causas e Portas de Entrada

Diferente do que muitos pensam, a infecção no sangue não começa necessariamente no sangue. Ela se espalha a partir de focos localizados:

  • Pneumonia e Infecções Pulmonares: A causa mais comum de sepse.

  • Infecções Abdominais: Apendicite, peritonite ou infecções na vesícula.

  • Infecções Urinárias (ITU): Quando as bactérias sobem para os rins (pielonefrite).

  • Infecções Cutâneas: Feridas infectadas, queimaduras graves ou abscessos que não foram drenados corretamente.

  • Procedimentos Médicos: O uso de cateteres, sondas e ventilação mecânica pode introduzir microrganismos diretamente na corrente sanguínea.


2. Os 3 Estágios da Infecção no Sangue

A medicina geralmente classifica a evolução da doença em três níveis de gravidade:

  1. Sepse: A infecção já se espalhou pelo sangue e o corpo apresenta sinais de inflamação (febre e taquicardia).

  2. Sepse Grave: Quando a infecção começa a afetar o funcionamento dos órgãos (os rins param de produzir urina ou o pulmão começa a falhar).

  3. Choque Séptico: O estágio mais crítico. A pressão arterial cai drasticamente e não responde à reposição de líquidos, levando ao risco iminente de falência múltipla de órgãos.


3. Sintomas Detalhados: O “Protocolo de Alerta”

Muitos sintomas podem ser confundidos com uma gripe forte, mas a combinação deles é o que acende o sinal vermelho:

Sinais Físicos:

  • Febre alta (>38°C) ou calafrios acompanhados de temperatura muito baixa.

  • Coração acelerado (Taquicardia): Mais de 90 batimentos por minuto em repouso.

  • Respiração rápida: Mais de 20 incursões respiratórias por minuto.

  • Pele manchada ou fria: Especialmente nas extremidades (mãos e pés).

Sinais Metabólicos e Mentais:

  • Confusão Mental: Desorientação, fala arrastada ou extrema sonolência (comum em idosos).

  • Diminuição da Urina: O corpo tenta preservar líquidos porque os rins estão sofrendo.

  • Fraqueza Extrema: Sensação de morte iminente ou desmaios.


4. Quem corre mais risco? (Grupos de Risco)

Embora qualquer pessoa possa desenvolver sepse, alguns grupos precisam de vigilância redobrada:

  • Bebês prematuros e crianças menores de 1 ano.

  • Idosos (devido ao sistema imunológico mais frágil).

  • Pacientes Imunossuprimidos: Pessoas com câncer, HIV ou que passaram por transplantes.

  • Diabéticos e cardíacos: Doenças crônicas dificultam a resposta do corpo à infecção.


5. Diagnóstico e Tratamento Hospitalar

O diagnóstico precisa ser feito em minutos. O médico utilizará o sistema qSOFA (uma triagem rápida de pressão, respiração e consciência) e exames como:

  • Lactato Sanguíneo: Níveis altos indicam que os órgãos não estão recebendo oxigênio suficiente.

  • Hemoculturas: Para descobrir o “nome e sobrenome” da bactéria.

O Tratamento:

  • Antibióticos de Amplo Espectro: Administrados na veia o mais rápido possível.

  • Suporte de Órgãos: Uso de oxigênio (ventilação) ou hemodiálise (se os rins pararem).

  • Vasopressores: Medicamentos potentes para forçar a subida da pressão arterial.


6. Como prevenir a Sepse?

A prevenção é o melhor caminho para evitar a infecção no sangue:

  1. Mantenha a vacinação em dia: (Gripe, pneumonia e meningite).

  2. Higiene de ferimentos: Lave cortes com água e sabão e observe sinais de pus ou vermelhidão.

  3. Lave as mãos: É a forma número 1 de evitar infecções hospitalares e comunitárias.

  4. Não se automedique: O uso incorreto de antibióticos cria bactérias super-resistentes, que são as principais causadoras de choque séptico.


Considerações Finais

A infecção no sangue é uma corrida contra o tempo. Se você ou alguém próximo apresenta sinais de infecção que não melhora, acompanhada de fraqueza e confusão, não espere. Vá ao pronto-socorro.