Os efeitos colaterais de uma evolução sem limites

A chegada do século XXI, foi marcada, por uma grande evolução tecnológica e alterações no modo de vida. As novas tecnologias, contemplaram diversas áreas, citemos algumas: na medicina, desde o processo diagnóstico até os tratamentos de ponta, na comunicação a facilidade e a rapidez promovendo o encurtamento das distâncias e a infinidade de equipamentos desenvolvidos para facilitar a vida cotidiana das pessoas e os processos de automação industrial.

Os avanços da medicina, proporcionam hoje um aumento nas taxas de expectativa de vida de parte da população mundial. Os processos de automação, proporcionam diminuição e autonomia dentro das etapas de produção. Já, os equipamentos diversos que surgiram para facilitar nosso cotidiano, vem com a promessa de nos proporcionar mais tempo.

​O ritmo humano de vida hoje é frenético, alucinado, organizado sob a ótica da pressão, por produzir cada vez mais e consumir cada vez mais. Um consumo desenfreado e desnecessário, somos levados a crer que o sucesso está naquilo que possuímos, logo, quanto mais possuímos, maior o nosso sucesso e mais feliz seremos.

Também vivemos, conectados as redes sociais entre outras, afinal elas surgiram para facilitar a comunicação e aproximar pessoas. Somos induzidos a ter novamente, mas agora, amigos virtuais, quanto mais amigos temos mais popular somos. Dessa forma, vamos construindo nossa vida acreditando que estamos buscando a felicidade e o sucesso.

Entretanto, o que assistimos é o aumento das doenças da alma conhecidas como distúrbios emocionais ou enfermidades psiquiátricas. Uma sociedade doente emocionalmente, talvez como nunca esteve antes. Enfermidades que acometiam geralmente adultos, hoje se manifestam em crianças e adolescentes.
Nos sentimos infelizes, temos uma porção de amigos virtuais, mas ainda nos sentimos solitários. Vamos nos tornando egocêntricos, individuais e intolerantes. Promovemos a desconstrução das relações humanas. A intolerância, não permite o surgimento de frustrações e cria lacunas para a violência e agressividade.

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A frustração, representa, um aspecto importante, que ocorre no processo de desenvolvimento e amadurecimento humano. Saber entender e aprender a lidar com este sentimento, torna o indivíduo mais equilibrado.

Então, estamos buscando uma felicidade e um sucesso que não existe, ou por outras vezes fugaz, dissipando-se diante de nossos olhares. Devemos refletir qual sociedade queremos? Que felicidade é essa que tanto busco? Talvez, seja o momento, de mobilizarmos em nossas estruturas internas e resgatarmos uma essência perdida, em algum momento na história, a valorização da vida, das relações sociais, da simplicidade e do companheirismo, e colocarmos em prática, ações que nos proporcionem bem estar físico e emocional, de forma duradoura , vamos sair mais, ouvir as pessoas, conversar, rir, ler, movimentar-se, meditar esqueçamos por alguns minutos o relógio, o dinheiro e a cobrança da perfeição, enfim vamos viver a felicidade, aquela que existe dentro de nós mesmo.

Grazielle Fachini é formada pela USP, especialista na área da Educação. Trabalha como Psicopedagoga e com formação de professores. Outras informações da autora www.infinitydesenvolvimento.com.br

 

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