Em 10 anos, quase mil pessoas foram assassinadas em Osasco

Um estudo realizado pelo Osasco Notícias (ON) mostra que 942 pessoas foram assassinadas entre 2007 e 2017 em Osasco. Ao todo foram registrados 882 casos de homicídios no período. Somente em 2017 aconteceram 67 casos tirando a vida de 74 pessoas. Em média nesta década 85,2 pessoas foram mortas anualmente.

Os números apontam que a cidade é mais violenta que a Capital levando em conta a taxa de homicídios por 100 mil habitantes, atualmente a taxa anual é de 9,9. Já a da cidade de São Paulo é 6,1. Na década a taxa de homicídios dolosos girou em torno dos 12,0.

A taxa permite que sem compare cidades com populações diferentes. “Osasco é mais violenta que São Paulo levando em conta a taxa de homicídios”, explicou o pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP), Bruno Pães Manso.

A professora da Universidade Estadual de Feira de Santana, Graciete Oliveira Vieira, comenta que “a violência é um fenômeno social complexo, que compromete o direito fundamental à vida, à saúde, ao respeito, à liberdade e à dignidade humana. Está relacionada com questões de natureza socioculturais e político-ideológicas, constituindo-se num poderoso indicador de qualidade de vida, pois diz respeito às condições gerais de existência, de trabalho, de sociabilidade. Por outro lado, ela eclode de fatores geradores de tensões como desemprego, desestruturação familiar e uso de drogas”, defende a mestre.

Nos três primeiros anos desta década, o número de vítimas eram altíssimos chegando a 118 mortos em 2007, 112 em 2008 e 113 em 2009, após uma houve redução no índice mesmo ocorrendo chacinas como as de agosto de 2015 que matou 17 pessoas em Osasco e Barueri. A redução comparando com 2007 com 2017 é 37,3% de mortos, 118 ante 74.

O controle de alguns crimes nesses 10 anos, não se pode deixar de analisar o crescimento de uma facção criminosa que age dentro e fora dos presídios. Essa organização surgiu na década de 1990 e cresceu rapidamente no Estado, sendo conhecida internacionalmente após 2006 com os ataques as forças policiais.

“A facção deve ser compreendido a partir desse contexto saturado de homicídios, de comunidades repletas de conflitos deflagrados em busca de opções para diminuir esses conflitos. A fundação da facção, aliás, é uma tentativa de integrantes do universo criminal paulista de se organizarem para lidar com a desordem vigente nesse meio”, explica Manso. “É no ano de 2003 que começa a ficar mais evidente a estratégia das novas lideranças de atuarem no comércio de drogas como estratégia de negócios. A atuação do PCC no atacado das drogas ajuda a diminuir a disputa entre as bocas varejistas nas periferias. Isso só ocorre mais claramente depois de 2005/2006, quando a queda dos homicídios em São Paulo já vinha em ritmo acelerado”.

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“Compreender a situação de São Paulo estimula a pensar sobre novas possibilidades de se resolver os problemas de violência”, afirma Manso. “Por enquanto, bate-se sempre na mesma tecla: polícia e prisão, mas há outras formas de trabalhar, de enxergar o problema, que passam por outras secretarias, lideranças, construção e fortalecimento de laços com a comunidade”, reflete.

Vejas os dados desde 2007:

A reportagem procurou a Prefeitura de Osasco para saber se a cidade acompanha os índices criminais. “Acompanha e procura, dentro de suas atribuições, realizar operações e ações conjuntas com as polícias Civil e Militar, para reduzir os índices de criminalidade”, informou em nota.

Questionada sobre quais as políticas públicas adotadas pelo município para evitar mortes violentas, a administração disse que “a Prefeitura disponibiliza escolinhas de esportes em vários segmentos, com o objetivo de afastar os jovens das ruas e integrá-los à vida saudável”, explicou. A municipalidade exaltou sobre a tentiva de inserção dos jovens no mercado de trabalho. “Também, por meio dos Portais do Trabalhador, eles podem ser inseridos no mercado de trabalho para estágio. Além disso, a administração pública tem oferta de cursos profissionalizantes, voltados para pessoas a partir dos 16 anos, oferecidos por meio do Fundo Social de Solidariedade”.

Diante da competência municipal perguntamos sobre a segurança pública para saber o que a cidade faz para combater a violência na cidade. “As ações do governo estão ligadas ao combate do comércio ilegal, despejo irregular de detritos, fiscalização de bares, entre outras atribuições do Departamento de Controle Urbano (DCU)”, falou em nota. “Operações como Amanhecer Seguro, que prioriza rondas nos terminais de ônibus, e Lazer Seguro, realizada via saturação nos parques da cidade e adjacências, são eficazes e têm como objetivo combater roubos, furtos e outras práticas criminosas na cidade. Esses trabalhos são realizados em conjunto com as policias Civil e Militar”.

Procurada para comentar sobre a violência na cidade, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Governo do Estado de São Paulo não respondeu aos contatos da reportagem.

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